FICHAMENTO "TEORIA DO NÃO-OBJETO"
- O não-objeto não é o oposto de um objeto ou um antiobjeto, ele é um objeto especial que que busca sintetizar uma pura essência.
- O processo de abstração se inicia com Mondrian, o qual elimina o objeto representado na pintura e transforma a tela no novo objeto.
- A pintura abstrata abandona radicalmente a representação, por isso a moldura perde completamente o seu sentido, já que ela tem como função inserir o espaço fictício representado no quadro no mundo real.
- O ready-made é uma técnica que busca revelar o objeto deslocando-o de sua função comum, como é o caso das obras de Duchamp. No entanto, ele não consegue chegar ao nível de não-objeto porque ele volta a ter um novo significado que, pode não ser o mesmo de antes, mas continua o caracterizando como objeto (em outras palavras, um pedaço de uma bicicleta continua sendo um pedaço de uma bicicleta independente do contexto, ela apenas causa uma estranheza inicial, mas continua sendo um objeto. Já o não-objeto nunca terá um significado objetivo como esse, ele é o que ele é nele mesmo).
- Quanto mais a pintura se liberta da representação, mais ela se aproxima das esculturas, já as esculturas, ao deixarem de lado a figura, a base e a massa, menos se parecem com uma escultura tradicional. Por exemplo, um contra-relevo de Tatlin e uma escultura de Pevsner se assemelham mais que esta e uma obra de Maliol.
(Contra-relevo de Tatlin) (Escultura de Pevsner) (Escultura de Maliol)
- O objeto é composto por nome e coisa, sendo que o nome que carrega a significação da própria coisa, ou seja, um objeto sem um nome é impenetrável. Já o não-objeto carrega o seu significado na sua própria existência, a sua essência/significação está baseada na sua forma, não em seu nome como no objeto.
- A representação de um objeto não é nem um objeto nem um não-objeto, é um meio termo. Esse meio objeto tem o seu significado inerente ao objeto real que ele representa, o qual já existe. O não-objeto, por ser a primeira aparição de sua forma, é o que ele é em si mesmo.
- Obras não figurativas como as de Mondrian, Malevitch e Kandinsky não chegam ao nível de não-objeto porque ele ainda faz referência, mesmo que metaforicamente, a objetos. Nesses casos, o espaço da tela é visto como um mundo fixo e contido no qual se adicionam vários elementos que são alusões a objetos. Isso não existe para os não-objetos, para eles o próprio fundo não é uma representação e sim o mundo real, sem divisórias.
- Alguns exemplos de obras que conseguiram superar a representação são os contra-relevos de Tatlin, as arquiteturas suprematistas de Malevitch e os trabalhos do grupo neoconcreto.
(Contra-relevo de Tatlin) (Arquitetura suprematista de Malevitch)
- A maioria dos não-objetos existentes solicitam que alguém os use para que o seu sentido como um todo seja revelado e a sua significação, expandida. "A contemplação conduz à ação que conduz a uma nova contemplação". (Ao ler esse trecho eu não pude deixar de pensar na obra Bicho de Bolso de Lygia Clark , ela apareceu em uma questão de simulado ENEM que eu fiz várias vezes no ano passado e só agora eu consegui entender ela um pouco melhor).
- De uma maneira bem simplificada, o não objeto transcende o objeto em si, uma vez que ele é algo nele mesmo, ele não é a materialização de um conceito, nem a representação de algo existente, nem está contido em um plano ficcional porque o seu significado não está relacionado a mais nada além de sua forma física.
- (Bicho de Bolso)
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